Choquequirao

Desde criança, quando aprendi sobre a civilização Inca nas aulas de história, Machu Picchu era um sonho. Em 2007 ele se tornaria um objetivo alcançado (… da maneira tradicional: pegando o trem que se envereda pelas belas montanhas peruanas até chegar ao povoado de Águas Calientes. E de lá, um ônibuzinho até a “cidade sagrada”… tudo muito turístico).

Veja aqui todas as fotos de Machu Picchu.

Acontece que esse meu sonho é vendido – seja por viajantes, guias e agências de viagens – com um adicional: a trilha Inca.

Prefiro conhecer os lugares da maneira menos turística e mais “local”. No entanto, era MACHU PICCHU! E qualquer possibilidade, mesmo que pop, de estar em contato com os resquícios daquela civilização já me atraía.

Por duas vezes tentei agendar o trekking com menos de 2 meses de antecedência e por duas vezes recebi a negativa junto com a sugestão de fazê-lo por Salcantay, um outro caminho pelas montanhas.

O que, ao menos na época, as agências não sugeriam era uma outra alternativa, que não deixava de ser Inca só por não chegar ao santuário sagrado.

Choquequirao é uma feliz surpresa escondida nas belíssima montanhas peruanas. E pela mata que domina grande parte das ruínas. Algumas décadas após ser descoberto, o sítio arqueológico ainda não foi nem 30% explorado.
Vantagem por um lado, já que em alguns momentos podemos sentir o solo afundando e nos descobrir caminhando sobre resquícios do passado abrigados pela mata.
Desvantagem por outro, ao menos, no meu ponto de vista, quando vemos os operários jogando cimento e tentando reconstituir, de uma maneira pouco “incaica”, o que acredita-se que havia ali.

Independente do mistério por trás de Choquequirao, ou do pouco estudo feito até agora, o fato é que a ruína jaz ao redor de uma das mais belas paisagens peruanas; mais uma vez, na minha opinião.

Apesar da menor altitude e do clima mais ameno (em comparação a outros sítios mais populares), em Choquequirao as nuvens estão na altura dos olhos ou, até, abaixo dos pés. É como se pisássemos no céu…

Para os aventureiros, mais um atrativo. Não há outro meio de chegar se não à pé ou à cavalo, montanha abaixo e acima. São 60 quilômetros de uma caminhada bem puxada, intercalando dias de subida constante com dias de descida vertiginosa. Isso porque a trilha convencional é de ida e volta. Há quem siga de lá até Machu Picchu.

O acampamento é no pé da montanha, a uns 45 minutos de Choquequirao. À noite, já sem nuvens, o céu se enche de estrelas, estrelas cadentes e satélites que passam.

Supõe-se que tenha sido uma prisão, um lugar de purificação ou um imenso armazéns onde os incas guardavam suprimentos. Pelo tamanho das pedras sabe-se que não era um local sagrado, pois quanto menores as pedras, menos importante o sítio. Porém, se a construção não era digna da nobreza, a paisagem era, com certeza. Morada dos deuses.

Confira aqui e aqui todas as fotos desta viagem.

O itinerário:

Dia 1- partimos de Cusco por volta de 5h30 da matina. Esmagado no porta-malas do carro ia nosso cozinheiro, acompanhado de um bujão de gás. Foram quatro horas de viagem até Cachora, vilarejo que dá início à trilha e está situado à 2800 metros acima do nível do mar. Até o décimo quilômetro o caminho era plano e tranqüilo. A partir daí, encaramos 8 km de descida, no calor e na poeira.

Dia 2- nosso acampamento estava a apenas 2 quilômetros de distância do Rio Apurimac, a 1750 metros de altitude (baixíiiissiimmmoo).
Conta a lenda que o nome quer dizer “rio que fala”, pois na época de chuvas o leito se enche. A força das águas arrasta pedras que batem umas nas outras e produzem um ruído semelhante ao de pessoas conversando. Após descer até o rio, nosso caminho montanha acima nos leva até Choquequirao. O novo acampamento ficava no quilômetro 32, a 2900 metros. Neste mesmo dia, subimos até os 3100 metros onde se encontra o sítio arqueológico.

Dia 3- De volta às ruínas. Após a última e mais larga visita, retornamos ao acampamento no quilômetro 19, próximo ao rio Apurimac, morro abaixo.

Dia 4- os pés com calos e bolhas ainda precisavam subir mais 8 quilômetros e caminhar outros 10. E o corpo cheio de poeira e moído pela caminhada ainda precisava esperar o almoço e as horas de viagem de volta à Cusco. Para mim, valeu a pena.

[slideshow]

 

TAGS: , , , , , , , , , , , , , ,

0 Comentários



Oba! Seja o primeiro a comentar.

Opa! Comente!

Tsc! Você precisa estar logado para comentar aqui.