Argentina

FATOS E MITOS


Sempre atrás do Brasil, a Argentina ocupa a segunda posição na lista dos maiores países da América do Sul e o quarto entre os maiores das Américas. A estatística, prato cheio para corriqueiras provocações, geralmente partindo de brasileiros contra argentinos, não faz jus a esta Nação. Nela encontramos a maior montanha das Américas e, na contramão, o ponto mais baixo do continente. Os indicadores sociais também lideram em comparação com o gigante vizinho. Mas é no quesito afinidades que existe o conflito. Assim como no Brasil, o futebol é paixão nacional. Enquanto os brasileiros aclamam o “rei” Pelé, ao lado o ícone é Diego Armando Maradona. A idolatria ao ex-craque e ex-técnico da seleção argentina quase se equipara àquela voltada a Evita Perón. Primeira-dama do general Juan Domingo Perón, presidente por 3 vezes, Evita ainda permeia o imaginário popular e recebe homenagens nos mais distintos lugares do país. Ponto turístico no Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires, seu pequeno túmulo é visitado por inúmeras pessoas todos os dias. A influência de Eva Duarte na política se faz sentir até nos dias de hoje, numa argentina peronista, haja visto seus últimos presidentes, e que ainda destaca os feitos do governo populista de Perón.

De seu povo culto e politizado nasceu uma das maiores imagens mundiais. Ernesto Guevara de la Serna nasceu na cidade de Rosário, província de Santa Fé, em 14 de junho de 1928. A expressão típica entre os argentinos, “Che”, rebatizou o revolucionário e criou o mito.

E de mitos a Argentina está cheia. Principal destino turístico de quem quer conhecer a Antártica, a belíssima e gélida Ushuaia garante um carimbo no passaporte de quem quiser mostrar que conheceu o “fim do mundo”. A cidade mais austral do planeta é um dos principais pivôs na rixa entre Argentina e Chile, já que o país vizinho insiste em contradizer a afirmação argentina, garantindo que Puerto Williams é que deveria receber o título, apesar de seu menor tamanho. O fato é que Ushuaia é um dos mais belos destinos argentinos.

Na mesma região, outra pendenga: mais uma vez a Argentina insiste em sua soberania, agora, em relação às Ilhas Malvinas, colônia britânica no sul do país.

Já as rivalidades com o vizinho Brasil não vão além do campo de futebol, ao menos, na concepção argentina. Os dois países respeitam bem o domínio sobre uma das mais volumosas cataratas do mundo. Em Iguaçu há o lado argentino e o brasileiro. O resultado da disputa fica à cargo do turista, que, em geral, escolhe seu “lado” favorito, esquecendo que o patrimônio natural é de todos e seria impossível algum país impor qualquer influência sobre a beleza gerada pela mãe terra. (A não ser pelas plataformas mais próximas às quedas d’água no lado argentino que, se não impressionam tanto quanto a vista panorâmica oferecida pelo Brasil, ao menos, garantem as melhores fotos).

Nos Pampas, Brasil e Argentina compartilham, também, natureza e tradição. Os gauchos (ou gaúchos), a agropecuária, o churrasco e o mate são os símbolos da região em ambos os países. No entanto, a parrilla argentina tem sabor distinto do churrasco brasileiro em virtude do corte do gado e do modo de preparo. Já o mate, tradição no sul do Brasil, é bebida nacional na Argentina, melhor degustada em conjunto, com família, amigos ou desconhecidos, nos parques, no meio da rua, em casa…

Outra bebida argentina mundialmente apreciada é o vinho produzido na região de Mendoza. Enquanto a maior montanha das Américas fascina aventureiros, ali, o vinho seduz os paladares mais exigentes e abarrota a província de turistas.

Parece que na Argentina a idéia de atrair visitantes está fortemente arraigada na sedução pelos sentidos. Belas paisagens que enchem os olhos e boa música que inunda ouvidos e a alma. Mas, para os bons de garfo, o paladar sai ganhando. Mesmo que a fama de arrogantes dos portenhos (nativos de Buenos Aires) ainda cause certa hesitação naqueles que pensam em conhecer este país, nada como um doce de leite no café da manhã para adoçar os mais arredios.

Com uma população branca e majoritariamente descendente de italianos e espanhóis, é comum a européia siesta, que pode colocar alguns turistas desprevenidos em apuros. Uma raiva aplacada pelas apresentações do belo Tango de Astor Piazzolla e Carlos Gardel no meio da rua, mais comuns em Buenos Aires. Este corriqueiro ganha-pão de muitos argentinos nas grandes cidades pode, aos olhos de alguns, resumir a cultura do país a uma única manifestação. Conjectura que impede os mais desavisados de apreciar, por exemplo, a Chacarera, dança típica do noroeste do país (berço, também, da brilhante Mercedes Sosa), ou de esquecer a riqueza da produção cinematográfica nacional. Produção esta que vem carregada do espírito engajado e ferido pelas sucessivas crises econômicas. Além, é claro, do sotaque indefectível.

Confira aqui todas as fotos do país.


Para saber mais:

Superfície: 3.761.274 Km² (incluíndo o continente Antártico, americano, as Malvinas e ilhas. Deste total, 2.791.810 Km² correspondem ao Continente Americano e 969.464 Km² ao Continente Antártico)

Densidade demográfica: 13 hab/km²

Extensão: 3.694 km de Norte a Sul e 1.423 km de Oeste a Leste

Fronteiras: Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai

Capital: Buenos Aires

Províncias: 23 e uma cidade autônoma (Buenos Aires)

Departamentos: 512

População: 40.091.359. Sendo 15.594.428 na província de Buenos Aires (Censo 2010)

  • Mulheres: 20.516.140
  • Homens: 19.575.219

Mortalidade: 7,6 por mil habitantes (ano 2008)

Mortalidade infantil: 12,5 por mil (ano 2008)

Pobreza: 26,9% da população são considerados pobres. Sendo que 8,7% são considerados indigentes (ano 2006)

Saúde: 32,1 médicos para cada 10 mil habitantes (ano 2005)

Expectativa de vida: 73,8 anos

Mercado de Trabalho (ano 2010):

  • Emprego: 42,2
  • Desemprego: 8,3
  • Subemprego: 9,2

Cesta básica: 372.33 pesos (custo em abril de 2010)

PIB: 422.130 bilhões de pesos (ano 2010)

IDH: 0,775. 46º no ranking mundial (Pnud-2010)

Educação: 1,2% dos jovens entre 18 a 24 anos foram considerados analfabetos (Censo 2001)

Língua: espanhol

Governo: Republicano, Representativo e Federal

Moeda: peso argentino

Independência: 09 de julho de 1816

Regime militar: 1976 – 1983

Economia: A agropecuária é uma de suas principais atividades. O país é um dos líderes em exportação de soja, milho e trigo. A Argentina têm igual destaque na produção de vinho.

Geografia: A vegetação e o clima nas 24 jurisdições argentinas são bastante diversos. Vão das temperaturas amenas da província La Pampa, passando pelo Chaco e seu clima quente e úmido da região oriental e seca na savana da parte ocidental, até chegar ao rigoroso inverno da Patagônia.

Ponto mais alto: Montanha mais alta da América: Cerro Aconcágua (6959 metros)

Ponto mais baixo: Gran Bajo de San Julián (105 metros)

Maiores rios: Paraná e Uruguai

Oceanos: Atlântico

 

Fonte: Instituto Nacional de Estadística y Censos de la República Argentina – Indec