Peru

PARA ALÉM DE MACHU PICCHU

Pelo que vejo, Machu Picchu permeia o imaginário do turista estrangeiro quando o assunto é Peru da mesma forma que futebol e carnaval o fazem em se tratando de Brasil. Confesso que não fui uma exceção à regra. Minha ida à terra dos Incas tinha o objetivo de me fazer imergir na cultura desta fascinante civilização. Porém e por sorte, todo resto que, à princípio, eu não buscava, me chegou de bandeja.

Na tentativa de explorar os resquícios da sociedade Inca, me vi envolvida por um povo que se orgulha das raízes indígenas e ressente a destruição causada pela conquista espanhola. Digo “envolvida” pois afetar o turismo numa das regiões mais visitadas do continente se torna uma arma na mão daqueles que querem reivindicar mudanças políticas (e munição para minhas caçadas fotográficas e culturais).

Enquanto minha mente voava até os céus de Machu Picchu, meu corpo ziguezagueava por entre a Mãe Terra; percorria, num sobe e desce, as altitudes mais extremas que havia experimentado; perpassava por ruínas datadas da gênese de nosso continente. Foi no Peru que viveu a milenar civilização Caral, os povos mais antigos das américas. É no Peru, nas alturas da Cordilheira dos Andes, que tem origem a principal bacia hidrográfica do planeta: a amazônica. E é no Peru, em seu alto território, que se extende boa parte do mais alto lago navegável do mundo, o Titicaca.

Saracoteando pelas ruas de Cusco, a antiga capital do Império Inca, descobri a fragilidade de uma terra frequentemente chacoalhada por abalos sísmicos, mas a capacidade de sua gente se reerguer. Espalhadas pela cidade, jazem, como prova da grandeza e astúcia de uma cultura avançada, estruturas construídas pelos incas. Firmes e bem arranjadas, antigas pedras formam a base de vários edifícios destruídos por espanhóis ou por terremotos.

Na atualidade, o Peru é o terceiro maior país da América do Sul e em nível social consegue se equiparar à (pretensa) potência Brasil. De uns anos para cá, a pobreza na região retrocedeu, seu IDH é bem superior ao do gigante vizinho, e, talvez aí resida a diferença, seus moradores orgulham-se de suas origens e, irrequietos, questionam as lógicas que não lhes trazem benefícios.

Quatro anos após minha visita ao país, o Peru celebra o centenário do “descobrimento” de Machu Picchu e se prepara para uma nova fase política frente à eleição de Ollanta Humala e o fim da Era Alan García Pérez.

Só resta torcer para que os peruanos se mantenham sólidos como aquelas estruturas incaicas espalhadas pela charmosa Cusco.

 

Confira aqui todas as imagens deste país.

 

Para saber mais:

Superfície: 1 285 216 km². É o terceiro maior país da América do Sul, atrás de Brasil e Argentina.

Densidade demográfica: 20,4 hab/km²

Fronteiras: Equador, Colômbia, Brasil, Bolívia e Chile

Capital: Lima

Províncias: 194

Departamentos: 24

População: 27 412 157 (Censo 2007)

  • Homens: 13 622 640
  • Mulheres: 13 789 517
  • Crianças: 30,5%
  • Jovens e adultos: 63,1%
  • Idosos: 6,4%
  • Urbana: 75,9%
  • Rural: 24,1%

Mortalidade infantil: 26 para cada mil nascidos vivos (ano 2009)

Esperança de vida: 73 anos

Pobreza: Em 2010, 31,3% da população foi considerada pobre, sendo que 54,2% estariam no meio rural e 19,1% nas cidades. Já a pobreza extrema atinge 9,8% da população. Mais uma vez o campo lidera as estatísticas: 23,3% contra 2,5% da zona urbana (ano 2010)

Saúde: 15 médicos para cada 10 mil habitantes (ano 2007). Em 2009 havia 15,3 camas hospitalares para cada 10 mil habitantes. Neste mesmo ano, a desnutrição infantil atingiu 18,3% das crianças menores de 5 anos

Mercado de Trabalho (ano 2009):

  • População Economicamente Ativa (PEA): 11 243 600 (71,2%)
  • Ocupados: 10 583 600 (94,1%)
  • Descocupados: 660 mil (5,9%)

PIB: 435 bilhões de soles novos (ano 2010. Fonte: Ministerio de Economía y Finanzas)

PIB per capita: 6 625 nuevos soles (ano 2009)

IDH: 0,723. 63° no Ranking mundial (PNUD-2010)

Educação: o analfabetismo entre a população maior que 15 anos chega a 11,1 %, sendo que, deste total, 23,9 % vivem no campo. Se avaliarmos por sexo, fica constatado que o analfabetismo é três vezes superior entre as mulheres em comparação aos homens. Enquanto entre eles a taxa é de 5,7%, entre as mulheres maiores de 15 anos a taxa é de 16,3%. A regra é a mesma quando se refere à educação no campo: o analfabetismo é sempre mais alto no meio rural, independente do gênero: 35,6% entre mulheres do campo contra 7,8% das cidades

Língua: espanhol, quechua, aymara

Governo: República presidencialista

Moeda: nuevo sol

Economia: Destacam-se na economia peruana a indústria, o comércio, a agropecuária e a pesca. Em 2011, por exemplo, apresentaram crescimento a construção civil, a indústria têxtil e alimentícia, a produção de farinha de peixe, ovos, algodão e café

Emissão de CO2 per capita: 904,9 kg/hab (ano 2008)

Geografia: O Peru se divide em três grandes regiões: Costa, Serra e Selva. Banhada pelo Oceano Pacífico, a Costa peruana consiste em uma região desértica e economicamente importante para o país. É nela que está a capital Lima. Já a Serra abrange a área da Cordilheira dos Andes, com suas enormes altitudes e clima geralmente seco. O ponto mais alto do país encontra-se nesta região: o nevado Huascarán, que se ergue a 6 768 metros acima do nível do mar. Mas a maior parte do território peruano é coberta pela Selva, mais precisamente, a Amazônica, entrecortada pelo rio Amazonas, que nasce no Peru

Ponto mais alto: Nevado Huascarán, 6 768 metros de altura

Hidrografia: o Peru divide com a Bolívia o domínio sob o mais alto lago navegável do Mundo. Dos 8 380 km², 4 996 km² do Titicaca correspondem ao país

Oceanos: Pacífico

 

Fonte: Instituto Nacional de Estadística e Informática – INEI